segunda-feira, 19 de abril de 2021

Cunhã Porã

 

Por Papiõn Cristiane Santos
Ilustração: Michele Borges

Quando me vê, me olha, me enxerga, sou desejo ou realidade ?

Meu olhar de gato, onça, águia e até de gente com alma,
que canta, dança aos deuses caapora, curupira, Yara, Yaçi, Guaraci, Tupã.

Seu penteguá eleva a fumaça que segue até a morada de Nhanderu.
Enquanto me vê, me olha, me enxerga quem sou.

Sou a Cunhã Porã que carrega as cores da noite estrelada em seus cabelos,
a voz o som dos pássaros, sou a inocência perdida das primeiras crias chamadas de brasileiros, sou a mãe da miscigenação.

Oh pátria desalmada que nega essas mães violadas, ricas de sabedoria e cultura  que embala silenciosamente até hoje os mistérios de ser Cunhã Porã!

Agora me vês e me enxerga  e não me silencia jamais, pois agora sou eco
que ecoa em todas as direções .


1 comentário: